
Outro mundo é possível
Raimundo Silva Lourenço *
“Os homens fazem sua própria História”. (Marx).
O presidente George W. Bush assinou a lei que permite a construção de um muro entre os Estados Unidos e o México, para tornar “mais seguras” as fronteiras. Cobrirá 1.132 km, com gastos calculados, entre 6 e 8 bilhões de dólares.
Será que é esse o mundo que queremos? O mundo em que as pessoas estão cada vez mais sendo obrigadas a procurar alternativas de defesa? Um mundo em que é preciso a construção de muros para separar povos?
Podemos ver isso na nossa sociedade, em que se torna freqüente a construção de grandes muros, com cercas elétricas...Essa é a lógica destrutiva do capital. Cada vez mais estamos andando nessa direção, buscando o “desenvolvimento”, avançando para a “modernidade”, enquanto a humanidade caminha para a destruição. A “ideologia do crescimento” vem favorecer a expansão do capitalismo, com a falácia do desenvolvimento para acabar com os problemas sociais. Os avanços tecnológicos não serão capazes de mudar a realidade das desigualdades sociais, pois a tendência é o favorecimento da estrutura irracional do capital. O que se produz, não é visando às necessidades humanas, mas ao consumismo industrial-militar. É o que se pode chamar de “crescimento cancerígeno”.
O fórum social mundial levantou um princípio importante, o de que “um outro mundo é possível”. Mas para o escritor húngaro István Mészáros, devido aos perigos que se apresentam à humanidade, a frase deve ser completada. Portanto: “Outro mundo é possível e necessário”. Necessário para a própria segurança da humanidade.
No passado, a luta era contra a burguesia, a expansão do capitalismo e as desigualdades. Hoje, a luta é pela sobrevivência. Esse país que pretende construir muros para se defender do “terceiro mundo marginalizado”, é o mesmo que não assina acordos internacionais para diminuir a disseminação da poluição, sendo o que mais polui. Pensa ser o senhor feudal, dentro do seu castelo, dono de tudo, e o “resto” é a vassalagem.
Por tudo o que foi observado, devemos repensar a História que estamos construindo. Devemos então voltar à pergunta: que mundo queremos. O mundo do “crescimento cancerígeno”, em que as pessoas estão se escondendo atrás de muros, ou devemos buscar uma alternativa de mudança?
Os atores sociais devem buscar essa alternativa , através de uma ideologia de emancipação, para a compreensão de que “outro mundo é possível”, não só possível, mas necessário.
A fé na descrença
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Denison Rafael Pereira da Silva *
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